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O compasso do silêncio

Uma fotografia analógica a preto e branco (tom sépia) de uma gata malhada que descansa serenamente num sofá. A luz do sol da tarde entra pela janela, criando sombras dramáticas de plantas na parede de fundo e iluminando suavemente o contorno do seu corpo.

O C. Luso de Villacintra resgata a pátina e a cadência da datilografia analógica para nos oferecer uma detalhada crónica de costumes sobre a convivência, a altivez e a inteligência felina. Entre a descrição sensorial e a observação psicológica, as suas palavras desaceleram o nosso olhar sobre os pequenos mistérios domésticos que habitam os nossos sofás, lembrando-nos de que a verdadeira cumplicidade se conquista no silêncio partilhado.

Não concede o seu afecto de forma leviana e ainda que possa consentir em ser nosso companheiro, nunca é nosso escravo. Mesmo quando está na mais amistosa das disposições, guarda sempre a sua liberdade e recusa a obediência servil. Mas uma vez que se conquista a sua confiança, é um amigo para toda a vida. Partilha as nossas horas de trabalho, de solidão, de alegrias e de tristezas e sente como ninguém o nosso estado de espírito.

Gosta de passar os serões nos nossos joelhos, a ronronar e a dormitar, contente com o nosso silêncio e desprezando até, pelo amor que nos tem, a companhia dos outros da sua espécie.

Escreve crónicas, fragmentos observacionais, ensaios sobre o quotidiano e apontamentos de viagem que evoquem a sofisticação da lentidão? Procuramos vozes independentes que queiram habitar o papel, longe da ditadura dos algoritmos. Envie-nos as suas propostas por e-mail. Junte-se a esta resistência analógica.

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