O C. Luso de Villacintra resgata a pátina e a cadência da datilografia analógica para nos oferecer uma detalhada crónica de costumes sobre a convivência, a altivez e a inteligência felina. Entre a descrição sensorial e a observação psicológica, as suas palavras desaceleram o nosso olhar sobre os pequenos mistérios domésticos que habitam os nossos sofás, lembrando-nos de que a verdadeira cumplicidade se conquista no silêncio partilhado. Não concede o seu afecto de forma leviana e ainda que possa consentir em ser nosso companheiro, nunca é nosso escravo. Mesmo quando está na mais amistosa das disposições, guarda sempre a sua liberdade e recusa a obediência servil. Mas uma vez que se conquista a sua confiança, é um amigo para toda a vida. Partilha as nossas horas de trabalho, de solidão, de alegrias e de tristezas e sente como ninguém o nosso estado de espírito. Gosta de passar os serões nos nossos joelhos, a ronronar e a dormitar, contente com o nosso silêncio e desprezando até, pelo amo...
Revista de não-ficção literária | À boleia da escrita observacional